quinta-feira, 11 de novembro de 2010

PERISCÓPIO

PERISCÓPIO

Érico Valduga

Adianta chamar o rei espanhol?

Quem sabe o "por que não te calas?", do Juan Carlos, que funcionou com o tiranete Chávez, poderia ser aplicado ao presidente até 31 de dezembro

"O TCU investiga, manda seus engenheiros e seus técnicos, eles constatam algumas coisas, e nem sempre o que constatam é verídico". Parece mentira, mas o autor do conceito é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, chefe do Executivo imperial da República em que a corrupção campeia, notória nos superfaturamentos de preços de obras e serviços públicos. O caso mais recente tem um mês e ocorreu no segundo gabinete mais importante do Palácio do Planalto, ocupado pelo chefe da Casa Civil. Por que a declaração desmoralizadora contra o Tribunal de Contas da União? Porque o órgão, ao fiscalizar 231 obras, recomendou a suspensão de 32 delas (18 do PAC), entre as quais as das refinarias Abreu Lima e Repar, da Petrobras, em Pernambuco e no Pa raná. Ambas foram alvo de idêntica recomendação no ano passado, não atendida.

O presidente é o principal zelador das instituições do país, e deveria ser o primeiro a evitar declarações que as depreciam aos olhos dos cidadãos, em especial àquelas encarregadas de fiscalizar o uso do dinheiro de todos. Ele até poderia ter razão no que diz, mas não pode dizê-lo de forma destemperada, e dar o péssimo exemplo de defender-se acusando, sem provas de que "nem sempre o que constatam é verídico". Ocorre, e aí deve estar a origem da declaração facciosa, que o governante não pode fornecer amostras de falta de veracidade, a confirmar a exceção, para não correr o risco de ser soterrado, em resposta, pela avalanche de amostras de imoralidades verazes que constituem a regra de seu governo.


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