OS PREOCUPADOS POLÍTICOS
No início, um reles boato. Uma "marolinha".
Depois, o desejo incontido de salvar a população "toma corpo". Aos borbotões surgem os impolutos políticos, preocupadíssimos com a pátria, com os cidadãos, com a saúde pública, e assomados por cintilante ardor cívico e intenso amor fraternal, descarada e, pateticamente, asseveram que uma nova CPMF ou similar deve ser aprovada para o bem de milhões de brasileiros.
Realmente, dizem eles, é fundamental a participação pecuniária de todos os nativos nesta empreitada cívico - social.
São modestos, eles querem apenas uma merreca de cada, uma ínfima colaboração que se transformará num substancial imposto.
Mas, e a estupenda arrecadação que a cada dia aumenta? Bom, não vamos desviar o assunto principal para meros detalhes. Ora, pois, que falta de visão.
Assim, de peito aberto, tal qual os heróis da antiguidade, governadores, senadores e deputados inflam o peito para declarar em alto e bom som que são a favor. Logo, estamos prestes a conceder mais uma obrigatória esmolinha para salvar a pátria.
O atual cenário de rutilante brasilidade nos lembra o dantesco espetáculo do impeachment do Collor, e a ridícula e ufanista performance dos parlamentares, que não se limitando a enunciar seus votos, prosseguiam indignados, "pela liberdade, pela pátria, pela minha honra... voto a favor do impeachment".
E assim, no palco surrealista do Congresso, crápulas travestidos de senhores das mais cândidas e boas intenções, bradaram aos quatro ventos como eram corretos, transparentes, nacionalistas e brasileiros.
Contudo, contrariando a indignação teatral, demonstrando que acima do palavreado está o gesto, o ato, em seqüência, assistimos o fio de lama que pouco a pouco passou a vazar no cenário político desta terra, até inunda – lo, totalmente, como nos dias atuais.
No pré - início de um novo desgoverno com ampla maioria no Congresso, emergem novos patifes, e novos canalhas adentram no palco da embromação.
Muita propaganda, muito diz - que - me - diz, mas, não se esqueçam, eles têm a faca e o queijo na mão. Se resolverem, estará decidido, e um novo ônus caberá no seu bolso para encher os cofres da canalha e do desgoverno.
É a materialização da vingança da metamorfose, que tem atravessada na garganta, o término da CPMF, quando incautos tiveram a ousadia de eliminar a indigesta contribuição, apesar dos seus veementes alertas de que o Brasil não agüentaria sem aquela polpuda verba.
Realmente, não tem mais jeito.
No Brasil, patifes e calhordas são que nem erva daninha, nascem e crescem em qualquer lugar, e aos montes.
Está iniciada mais uma rodada de esculhambação democrática.
Brasília, DF, 07 de novembro de 2010
Gen. Bda Rfm Valmir Fonseca Azevedo Pereira
ISTO É OUTRA COISA!
Nenhum comentário:
Postar um comentário