sábado, 5 de março de 2011

Máscara Negra - Zé Kéti e Pereira Matos

SILVIO CALDAS - NOITE CHEIA DE ESTRELAS

Odalisca - Nelson Gonçalves (Carnaval de 1947)

Marcha dos Gafanhotos - Albertinho Fortuna (Carnaval de 1947)

Retrato do Velho - Jingle de Getulio Vargas

1959 - Nuno Roland - Pirata da Perna de Pau (Marcha de Carnaval de 1947)

Sam Jo Tell me a lie (leg)

NOSSA FANTASIA


A NOSSA FANTASIA

Hoje, retiramos do armário a nossa fantasia de palhaço, de fato uma mistura de palhaço com pierrô, traje que alguns poderão, pejorativamente, nominar como de tolo empedernido, outros de trouxa assumido.

É antiga. Temos usada a mesma e batida caricatura (?) de palhaço nos últimos oito anos, embora, a cada ano acrescentemos mais um adereço aqui, outro acolá. Assim, para os desconhecidos, ela poderá parecer  nova.

Infelizmente, nós os palhaços não caímos nas graças do petismo, que dirá do lulismo, e muito menos do continuísmo. Por pura vaidade ou vergonha, nos falta coragem para adentrarmos nas passarelas da folia com as indumentárias que o sindical – petismo - lulista adora.

A de "bichonas" ficou ridícula, conforme a nossa veneranda mãe, a de "crioulos", vergonhosa, segundo a nossa tia lésbica, a de "secundaristas da UNE", uma blasfêmia, na opinião dos sobrinhos, a de "universitários graças aos questionáveis exames do Enem", um nojo, foi a sentença de um velho amigo.

E assim, por tentativa e erro, fomos procurando uma fantasia mais de acordo com o nosso atual estado de espírito, tudo em vão.

Tanto a de "PAC 1" como a de "PAC 2", cheias de fogos de artifícios, de pompas e circunstâncias foram sumariamente desclassificadas.   

A de "lavrador do MST", ignóbil, a de "sindicalista raivoso", sórdida, a de "assessor sem concurso", um vexame, a de "escamoteador de dinheiro na cueca", repugnante, a de "filiado ao PT", infame, a de "amedalhado pelas autoridades militares" (peito cheio de medalhas), indigna, a de "terrorista convicto" (portando granada e o escambau), repulsiva, a de "político corrupto", redundante, a de "juiz venal", desprezível, todas, foram espinafradas com desusado vigor por um grupo, que receamos nem podemos chamar de amigos, pois se negam a endossar nossas simpatias pelo atual (?) e muito menos pelo desgoverno passado (?).

Desarvorados, por sermos incapazes de escolher uma miserável fantasia para gozar dos folguedos de momo, tentamos, como último recurso, a de METAMORFOSE AMBULANTE, visto que, o dito goza da preferência nacional.

Não cortamos o dedo mindinho da mão esquerda (poderíamos até ser aposentados), isto tirou a veracidade de nossa indumentária, mas carregávamos uma garrafa de pinga, volta – e - meia trocávamos os passos, riamos às bandeiras despregadas, mentíamos à larga, mas esta derradeira tentativa foi a pior, a vaia correu solta. Quase apanhamos. Inclusive, rasgaram a nossa camiseta de "VIVA O MULLA".

Por tudo, compungidos, voltamos a tirar do armário a velha e rota fantasia.

O nariz, aquela bolinha vermelha que alegra a petizada está cada vez maior, as orelhas de burro, também. A novidade é a dentuça postiça uma singela homenagem a nova majestade.

Hoje, mais do nunca é preciso cair na gandaia, pois os ventos que sopram anunciam que este poderá ser, na atual quadratura, o último baile da Ilha Fiscal.

Depois, é pagar a pesada conta, que ele nos legou por nossa total e inconseqüente falta de caráter.

Nóis merece a fantasia de "tolinhos na terra dos vivaldinos".

Brasília, DF, 05 de março de 2011

Gen. Bda Rfm Valmir Fonseca Azevedo Pereira

  

 


terça-feira, 1 de março de 2011

Todo mundo elogia Dilma. Soberana!

Daqui a pouco, Dilma Rousseff estará no programa “Mais Você”, de Ana Maria Braga, na Globo. Dentro de alguns dias, estará com Hebe Camargo, da Rede TV. Quando a maioria de vocês ler este post, o bate-papo já terá ido ao ar. Sou notívago, varo madrugadas, mas tenho limites. Vejo depois na Internet. A apresentadora promete “muita emoção”. Dilma falará sobre questões de governo, problemas do Brasil, desafios etc, mas o “gancho” é o “Dia Internacional da Mulher”, que se comemora na terça que vem. O papo deve ter seu lado Maricota, mas uma Maricota liberada, pós-machismo e pós-feminismo. Será uma operação bem-sucedida. Ana Maria é muito simpática, e Dilma aprendeu bastante sobre TV. Ninguém toma café com a apresentadora para ser posto contra a parede. Nem faria sentido. Não será Ana Maria a fazer o que não faz boa parte do jornalismo, certo?

A “entrevista” já faz parte de uma nova fase do plano de marketing. Não estou dizendo que as coisas foram assim planejadas, mas assim estão se mostrando:
1 - Na fase um, Dilma não podia existir para que pudesse ter existência; sua única chance de se eleger estava em provar que não tinha vontade própria. Como o Apedeuta deixou claro, o nome “Dilma”, na urna eletrônica, queria dizer “Lula”. Funcionou.

2 - Na fase dois, Dilma tinha de começar a provar que existia. Para tanto, era preciso marcar a diferença com o antecessor. Em dois temas sensíveis, fez-nos vislumbrar outra orientação — “controle da mídia” e política externa —, mas a diferença maior foi mesmo de estilo. Se Lula era falastrão, ela é silenciosa; se Lula era um provocador permanente, ela flerta com alguma forma de conciliação; se Lula “não sai da mídia”, assumindo o papel de animador político da máquina do governo, ela optou pelo perfil da gerente — bastante explorado na campanha eleitoral, é verdade.

3 - A fase três, agora, é a da popularização da “Dilma por Dilma”, não mais a “Dilma por Lula”. Não será ele a dizer o que acha dela, mas ela a falar de e por si mesma. Nesse sentido, o gancho do Dia Internacional da Mulher é perfeito. Eis, afinal de contas, um papel que o Apedeuta não pode assumir: o de mulher! E a melhor maneira de tratar desse assunto, é claro, não é se reunindo com Marilena Chaui, Olgária Matos, Maria Victória Benevides e Rose Marie Muraro. Ana Maria Braga e Hebe Camargo são mais eficientes.

Necessidade
Já escrevi aqui algumas vezes: Dilma vai precisar de mais contato com as massas. Não acredito que João Santana vá abrir mão da fantasia da “Soberana” que decide acima das paixões. Parte considerável da imprensa se apaixonou por essa construção, um misto, assim, de Elizabeth II com René Descartes. Ocorre que o PT precisa, como sabemos, de uma sociedade algo mobilizada — e, se Dilma não construir essa liderança popular, Lula vai ocupar o vácuo. A questão, no entanto, não está só no longo prazo. No curto e no médio, será preciso dialogar mais com a sociedade.

O governo já decidiu aumentar o valor do Bolsa Família. Isso tem um apelo importante para parte considerável do eleitorado petista, mas é pouco. Analistas os mais sensatos desconfiam que a situação fiscal do governo é pior do que parece e que a inflação vai incomodar por um bom tempo. E isso num cenário de crescimento menor. O corte no Orçamento, ainda que não se cumpra na dimensão desejada pelo governo, acena para um tempo de euforia menor. Será preciso, pois, aumentar a interlocução, estar mais presente, mobilizar mais os brasileiros.

Lula fazia isso com os pés nas costas, vociferando contra seus inimigos imaginários, internos e externos. Aquela performance, não tem jeito, Dilma não conseguiria reproduzir ou mesmo imitar sem que parecesse ridícula. Não dá para imaginá-la suarenta, sobre um palanque, olhos injetados, fazendo poesia sobre a mãe que nasceu analfabeta… Boa parte do discurso lulista, aliás, era, de fato, de um ridículo atroz, mas a inimputabilidade que conquistou lhe permitiu ir adiante. Permitiu, inclusive, que metesse a economia nessa razoável encalacrada — o que fez, segundo tanto se anunciou, em parceria com Dilma Rousseff.

Dilma cortou, sim, os gastos sociais e as obras do PAC — ao menos em relação ao que ia no Orçamento —, mas gente muito boa desconfia da eficácia da ação para desacelerar a economia e conter a inflação, o que deve chamar ao debate o Banco Central, que talvez tenha de controlar pela via monetária o que o governo não conseguirá fazer pela via fiscal. A razão é simples: a porrada de R$ 50 bilhões agora só esconde a continuada irresponsabilidade dos dois últimos anos. O que a estabilidade econômica ensinou — inclusive aos seis primeiros anos de governo Lula — é que disciplina fiscal é obra continuada.

Mais: o corte se dá sobre um estoque fabuloso de promessas. O Minha Casa, Minha Vida levou um facão de 40%. Atenção! Dilma tem ainda 2,8 milhões de casas para entregar até 2014. É claro que ela não vai cumprir a promessa. Também garantiu a construção de 5 mil creches. Não! Ela não vai conseguir. As UPAs eram mil; ela já deixou por 500, que também não serão feitas.

Uma coisa é não cumprir promessas — e Lula as descumpriu às pencas — num cenário de inflação baixa, juros moderados e crescimento de 7%; outra, um tantinho diferente, é descumpri-las com juros altos, pressão inflacionária e crescimento de 4%, 4,5% — sim, é um bom crescimento. Mas a euforia mesmo começa ali pelos 6%…

Dilma tem de encontrar um modo, adequado a seu perfil mais tímido, de cair nos braços do povo, de mobilizá-lo. O período da euforia acabou. Se estruturada, a oposição estaria com uma baita agenda pela frente, dada de bandeja pela bagunça fiscal de 2009 e 2010. Mas esse terreno ainda parece uma vasta solidão. Dilma precisa cair nos braços do povo porque um espectro ronda o governo.

Alguns dos auxiliares da presidente o chamam de “O Barba”.

Por Reinaldo Azevedo