quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

CREMERS x SIMERS


O CREMERS está cometendo um grande equívoco e prestando um deserviço aos médicos de Porto Alegre.

O que mais interessa à imprensa e aos poderes constituídos é que a classe esteja dividida. É a velha e conhecida estratégia:


                      “Dividir para Governar”

Em Santa Rosa, Osmar Terra, quando prefeito, criou a Fundação Municipal da Saúde, contra a vontade da classe e câmara de vereadores. Mobilizou os líderes  dos bairros, (por ele indicados a dedo) e do Conselho Municipal de Saúde para pressionar a câmara, que acabou cedendo a pressão.
Aprovada, a Fundação Municipal de Saúde de Santa Rosa criou uma estrutura que consome fatia significativa de verba que poderia ser utilizada para melhor remunerar  hospitais, médicos e laboratórios. Um cabide de empregos e um forte reduto eleitoral.
Os hospitais estão morrendo a míngua. O Hospital de Caridade de Santa Rosa (Hospital Vida e Saúde) tem um patrimônio que não passa de R$ 3.000.000,00 e uma dívida que está se acumulando a cada ano. E meados de 2008 girava em torno de R$ 16.000.000,00.
Os contratos com hospitais, laboratórios e médicos não resistem a uma simples análise jurídica, sendo impostos unilateralmente. Pelo contrato global junto ao hospital, qualquer pessoa que trabalha no nosocômio é obrigada a atender pacientes do SUS. Médicos e laboratórios, ainda que não credenciados, são obrigados a trabalhar sem vínculo empregatício, sem saberem o que recebem. Ao se negarem ou cobrarem pelos seus honorários, são denunciados - ou por omissão de socorro, ou por cobrança indevida - sendo instaurados processos judiciais que levam anos até a sentença definitiva. Pesquisando no Judiciário é possível constatar que um grande número de médicos responde a algum tipo de processo. .
Agora vem os meios de comunicação, em especial a RBS, divulgar que Santa Rosa é modelo e que já funciona muito bem há mais de 15 anos, tendo havido redução do número de internações. Um viés grosseiro, pois quem determina o número de pacientes a serem internados (o que a FMS se responsabiliza pagar no final do mês) é a própria contratante. O excedente corre por conta do hospital. Diante da dificuldade para administrar a situação, o Hospital tem utilizado vários expedientes, dentre os quais se destacam: endividamento junto a fornecedores diversos, tais como laboratórios, energia elétrica, água; não repasse de encargos sociais,  como INSS e FGTS; não repasse ou repasse parcial do que é devido a médicos e laboratórios; enxugamento da folha de pessoal, demitindo funcionários antigos e remanejando novos, além de redução do quadro; encaminhamento de pacientes graves (quando possível) e que geram vultosas despesas de internação, para grandes centros, ainda que haja condições técnicas para atendê-los.
Vejam abaixo o comentário de Paulo Santana sobre a criação de instituição similar pela Prefeitura Municipal de Porto Alegre...

                                             Reneu J. K.



PAULO SANTANA





Cremers X Sindicato
A notícia é quase bombástica: a classe médica está dividida. Enquanto o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul é contra a criação do Instituto Municipal de Estratégia da Saúde da Família, proposta pelo prefeito José Fortunati, o Cremers anuncia que vai apoiar a medida.
Segundo o presidente do Conselho Regional de Medicina, Fernando Weber Matos, se ficar claro que não há nada ilegal nem inconstitucional na fundação, cidadãos e médicos não podem ser contra a implantação da estrutura. O objetivo da iniciativa é diminuir a sobrecarga nos hospitais da Capital e melhorar o atendimento à população carente.
Quem poderá ser contra uma fundação que melhorará o atendimento?
Isso parece até corporativismo do sindicato, já que os funcionários serão contratados via CLT, em vez de integrados ao funcionalismo público.