sábado, 12 de março de 2011
Os equívocos da Campanha da Fraternidade 2011
Em 135 páginas quase inacreditáveis, o documento desperdiça - e distorce - o inspirador tema “Fraternidade e a vida no planeta”, reproduzindo sem maiores contestações toda a pletora de argumentos que têm sido manipulados para justificar as limitações ao uso de combustíveis fósseis – petróleo, gás natural e carvão mineral - e as restrições a um conjunto de tecnologias modernas, propostas de ambientalistas radicais, cuja aceitação pela sociedade implicaria em um virtual retrocesso civilizatório.
Com isso, a CNBB não apenas se equipara ao movimento ambientalista internacional, na condição de instrumento político de uma campanha contra o progresso, como também contraria frontalmente as esclarecidas posições que o Vaticano tem manifestado sobre os temas ambientais, por meio de altos dignitários da Igreja, inclusive, o próprio Papa Bento XVI.
Em termos estritamente teológicos, o aspecto mais surpreendente do documento é a tentativa de justificar a agenda ambientalista segundo os cânones do magistério cristão, em especial, com uma coleção de citações de documentos eclesiásticos e declarações de autores cristãos e papas (inclusive os dois últimos), retiradas dos seus contextos gerais para fazer parecer que a doutrina cristã apoia o radicalismo “verde”. Assim, o que fazem os autores é promover uma autêntica idolatria da natureza que remete ao paganismo pré-cristão, como já advertiu ninguém menos que o próprio papa Bento XVI, que rotulou a ideologia malthusiana-ambientalista como “neopaganismo”.
Vale enfatizar que, ao contrário do que os alarmistas do clima afirmam com certeza dogmática, não existe qualquer evidência científica que permita diferenciar as variações climáticas ocorridas nos últimos dois séculos, dentro das oscilações muito mais amplas e rápidas verificadas ao longo do período geológico conhecido como Holoceno, os últimos 12 mil anos, no qual a Civilização tem existido. Ou seja, simplesmente não é possível atribuir as mudanças climáticas recentes às ações humanas - pelo que a hipótese do aquecimento global antropogênico é reprovada no teste do método científico (aliás, a própria expressão mudanças climáticas é redundante, pois o clima está sempre em mudança).
Se um tal documento tivesse sido produzido por uma ONG ambientalista, nem valeria a pena respondê-lo. Entretanto, tratando-se de uma iniciativa que pretende representar o magistério da Igreja sobre questões referentes ao bem-estar da sociedade, não se pode ignorá-lo. Por isso, o Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa) dedicou ao assunto uma edição especial do jornal quinzenal Solidariedade Ibero-americana, que pode ser consultada, clicando aqui.
Blog do Saïd Dïb: Os equívocos da Campanha da Fraternidade 2011
sexta-feira, 11 de março de 2011
Missão Suez
A FEB no Oriente Médio - O Batalhão Suez
FONTE: Revista de História da Biblioteca Nacional | 1/2/2007
O Brasil no deserto
por Fabiano Luis Bueno Lopes
Além de Israel e Egito – os dois países envolvidos diretamente na guerra –, grandes potências mundiais, como Inglaterra, França, Estados Unidos e União Soviética, tinham interesses em jogo na região. A iminência de um conflito de grandes proporções levou a ONU a convocar a Assembléia Geral e o Conselho de Segurança para tentar controlar as atividades bélicas na região. A Primeira Força de Emergência das Nações Unidas (I FENU, ou, no original, UNEF I – First United Nation Emergency Force) seria formada em 1956.
Um dos motivos dos desentendimentos que gerariam o conflito foi a nacionalização do Canal de Suez pelo presidente egípcio Gamal Abdel Nasser em 1956, atitude que prejudicava os interesses franco-britânicos, além de restringir a navegação israelense pela passagem. O local é ponto estratégico para a economia mundial, fazendo a ligação marítima mais curta entre vários países da Ásia, da África e da Europa. Apoiado pela União Soviética, Nasser assumiu uma postura totalmente contrária às pretensões de várias nações ocidentais, entre elas os Estados Unidos. Em retaliação, França e Inglaterra formaram uma espécie de coalizão com Israel e atacaram o Egito.
Por tratar-se de um momento delicado da Guerra Fria – a disputa entre União Soviética e Estados Unidos pela liderança política e econômica mundial –, a ONU agiu prontamente para impedir maiores conseqüências entre os beligerantes: tropas de paz foram enviadas para a região. O Brasil foi um dos dez países convidados a participar da missão, juntamente com Canadá, Noruega, Finlândia, Índia, Colômbia, Dinamarca, Indochina, Suécia e Iugoslávia.
Juscelino Kubitschek, então presidente, aceitou prontamente a indicação, tratando de convocar o Exército para integrar as tropas internacionais. O Brasil tinha fortes interesses estratégicos na missão. As intenções de JK com relação à política externa tornaram-se claras: a participação na tropa de paz era uma oportunidade de projetar o Brasil no cenário internacional – ambição que o país perseguia com afinco na época.
Ao longo de dez anos, o governo brasileiro enviou vinte contingentes de tropas para a região, num total aproximado de 6.300 militares. Cada grupo permanecia na região por cerca de um ano. A cada seis meses, metade do efetivo era trocada. Na época, a imprensa apelidou o destacamento brasileiro de Batalhão Suez, alcunha pela qual os integrantes da missão ficaram conhecidos e identificam-se até hoje. A referência a Suez se deve à atuação das tropas de paz no conflito que se seguiu à nacionalização do canal. O apelido facilitava a identificação do contingente brasileiro, vinculando-o ao conhecido ponto na região. O nome oficial do grupo era menos atraente: 3º Batalhão pertencente ao 2º Regimento de Infantaria do Rio de Janeiro. No decorrer do conflito, outros quartéis seriam usados para formação, instrução e treinamento de tropas em estados como São Paulo, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Minas Gerais e Paraná, entre outros.
Na maioria das vezes, as forças brasileiras foram enviadas para o Oriente Médio em navios de transporte de tropas da Marinha – as viagens duravam cerca de 40 dias. No decorrer dos anos de conflito, alguns contingentes foram levados em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB). Quando chegavam ao Egito, os soldados brasileiros se deparavam com um ambiente totalmente hostil. O agressivo clima do deserto – muito seco e quente de dia e frio à noite – era algo totalmente novo para o brasileiro, assim como os hábitos alimentares e as práticas culturais dos habitantes da região. Apesar disso, as tropas se adaptaram surpreendentemente bem às condições, executando suas missões com sucesso. A simpatia, o companheirismo e a amizade demonstrados pelos membros do Batalhão Suez conquistaram o apreço da população local. Os bons olhos com que os brasileiros eram vistos facilitariam o andamento da missão.
O clima de incerteza, o desgaste provocado pela tensão da guerra e a situação de miséria que assolava a região punham em xeque o moral das tropas. Muitos soldados sofriam intensamente – segundo descrição de alguns veteranos – por causa da distância e das saudades da família e do Brasil. Escreviam longas cartas para suas famílias e poesias em que expressavam seus pesares.
O contingente brasileiro ficava ao longo da fronteira entre Israel e Egito, sobretudo na região da atual Faixa de Gaza. As atividades consistiam em patrulhar e vigiar a região fronteiriça com a preocupação de evitar violações da Linha de Demarcação de Armistício (LDA). O objetivo das forças de paz da ONU era manter o cessar-fogo estabelecido entre Egito e Israel no fim da guerra de 1956. Uma das incumbências dos soldados brasileiros era a vigilância contínua de cerca de 50 quilômetros de fronteira por meio de Postos de Observação – guaritas improvisadas no deserto – para garantir a tranqüilidade necessária na região. Nossos soldados também acompanharam as retiradas de tropas de ambos os lados e desarmaram minas que haviam sido enterradas durante os conflitos, serviço de extrema periculosidade e que exigia grande conhecimento técnico.
O Batalhão Suez permaneceu em território então pertencente ao Egito, travando contatos mais freqüentes com os povos árabe e palestino. Israel não permitiria a entrada de tropas internacionais em seus territórios, embora concordasse com a missão.
Além de enviar soldados, o Brasil contribuiu com alguns armamentos e equipamentos militares, entre eles o famoso FNM – caminhão produzido pela hoje extinta Fábrica Nacional de Motores –, bastante usado na missão. Durante os anos de atuação da Força de Paz da ONU, dois generais brasileiros comandaram as operações: Carlos Paiva Chaves (de janeiro a agosto de 1964) e Sizeno Sarmento (de janeiro de 1965 a janeiro de 1966).
A missão no Oriente Médio durou cerca de 10 anos, e seu final foi dramático. Em 1967 eclodiu a Guerra dos Seis Dias: Israel solicitou a retirada das tropas da ONU e invadiu o Egito. No dia 5 de junho, às 9 horas da manhã, jatos Mirage – de fabricação francesa – do exército israelense cortaram o espaço aéreo egípcio lançando um ataque devastador, que aniquilou boa parte das defesas inimigas. O combate ocorreu simultaneamente em outras frentes. Problemas de comunicação e uma demora na tomada de decisão do secretário-geral da ONU geraram desentendimentos quanto à retirada das tropas brasileiras. O Campo Rafah, local onde os homens do Batalhão Suez estavam concentrados, ficou no meio do fogo cruzado. Durante dois dias e duas noites eles tiveram que rastejar pelo chão para não serem atingidos. No episódio, um cabo brasileiro morreu, vítima de um disparo. Chamava-se Adalberto Ilha de Macedo.
Na volta ao Brasil, a grande maioria dos militares que integraram a Força de Paz foi desligada do Exército. Permaneceram somente os profissionais. Apesar da experiência de um ano na missão, do contato com outros exércitos, com novas tecnologias e práticas militares – em geral mais modernas –, estes homens foram simplesmente lançados na vida civil. Segundo alguns veteranos, não houve por parte do Exército ou do governo qualquer preocupação em oferecer oportunidades ou assistência aos ex-combatentes. Na época jovens sem experiência profissional, eles teriam grande dificuldade em retomar a vida. Algum tempo depois, ex-servidores da ONU, heróis de guerra, foram encontrados em situação econômica bastante complicada, uns doentes e outros até mesmo em situação de mendicância.
Ao longo dos anos, os ex-soldados passariam a se reencontrar e se organizariam em grupos. Os veteranos do Batalhão Suez buscam até hoje manter contato com antigos colegas que viveram as mesmas experiências e os mesmos dramas, com o objetivo de rememorar e propagar suas memórias. Desses encontros surgem associações preocupadas em divulgar as lembranças por meio de comemorações, criação de símbolos, monumentos, museus e homenagens.
Hoje em dia existem várias associações de veteranos de forças de paz da ONU espalhadas pelo Brasil, com uma certa interação entre elas. As entidades têm, principalmente, um caráter de confraternização e reivindicação do reconhecimento público e social. Na falta de incentivos externos, enfrentam grandes dificuldades para atingir seus objetivos.
Uma das características marcantes neste tipo de organização é a identificação com o Exército Brasileiro e a própria ONU. Mesmo após anos de desligamento efetivo, continuam estabelecendo alguns contatos. Grande parte dos rituais comemorativos continua reproduzindo as práticas militares do Exército e fazendo menções à instituição internacional à qual um dia serviram.
Poucos sabem, mas o Brasil tem participado, ao longo dos anos, de grande parte das forças de paz da ONU. Atualmente, as tropas brasileiras atuam em oito missões, a mais famosa delas no Haiti. Após a missão no Oriente Médio, o Brasil participou de muitas outras forças de paz enviando tropas, como, por exemplo, no Congo, em Angola, em Moçambique e no Timor Leste, entre outras. Em 1988, os Boinas Azuis da ONU – como são conhecidos os integrantes das forças de paz – receberam o Prêmio Nobel da Paz, motivo de orgulho para os veteranos da Missão Suez.
Em 2006 foi comemorado o cinqüentenário da formação do Batalhão Suez. A participação do Exército Brasileiro no conflito no Oriente Médio é, ainda hoje, um tema pouco estudado e negligenciado pela historiografia nacional. Os livros didáticos e os manuais educativos do país não costumam fazer qualquer menção ao assunto. Idosos, muitos deles passando por dificuldades financeiras, os ex-soldados hoje lutam para obter o reconhecimento do país e por uma velhice digna de seus feitos.
FABIANO LUIS BUENO LOPES é doutorando em História na Universidade Federal do Paraná e autor da dissertação de mestrado "Batalhão Suez: história, memória e representação coletiva (1956-2000)", defendida em 2006 na mesma universidade.
Uma nova ...
Uma nova "Inquisição"
A Inquisição foi no passado distante o instrumento criado pela "intelligentsia" da Igreja Católica para a supressão dos hereges. A 1ª foi fundada em 1184. Outras se seguiram. A mais cruel foi a Espanhola que desusada e abestalhadamente, no seu furor promoveu, sob a tutela da legalidade, uma verdadeira caça às bruxas.
É evidente, que dispondo de tal poder, os "situacionistas" deitaram, rolaram e infernizaram, quando não acabaram com a vida de desafetos, credores, mal amados etc. À época, faltou lenha para queimar tantos hereges, bruxas e feiticeiros.
Posteriormente, no Brasil foram criadas as Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI), instrumento legal, conduzido por parlamentares para investigar, esmiuçar fatos, eventos. Na prática - buscar a verdade.
Delas já tivemos um punhado. Seus principais atores aproveitam o palco e interpretam seus papéis com raro estardalhaço, afinal tudo é televisionado, e desandam a promover canastrices sob nossos arregalados olhos. Descobrem alguma coisa? Desnudam a verdade? Os resultados são pífios.
Hoje, nossas atenções voltam - se para uma "nova Inquisição", a da Verdade. Os objetivos são pretensiosos, amplos, pois são muitos os esqueletos nos armários. Como ilustração, os seus membros deveriam ler livros como "A verdade Sufocada", " A Grande Mentira", entre outros.
Embusteira e fantasiosamente, ela tem por objetivo "promover a reconciliação nacional", e terá a função de "promover o esclarecimento circunstanciado dos casos de torturas, mortes, desaparecimentos forçados, ocultação de cadáveres e sua autoria, ainda que ocorridos no exterior".
Quanto ao terrorismo, negas, quanto aos assaltos a bancos, seqüestros, justiçamentos, assassinatos, roubos, nem pensar. Respeitar as decisões do STF, quem respeita?
A inquisição tem o explícito compromisso de primar pela parcialidade e satisfazer as vingativas e sedentas esquerdas, e espera perpetrar a insânia com o aval do Congresso, composto por um rebanho de bovinos, pois é useiro e vezeiro em votar "bovinamente". Assim, as aspirações dos celerados têm tudo para dar certo.
A aprovação do Projeto de Lei que cria a Comissão será um vistoso passo no cumprimento do 3º PNDH; depois, pelas beiradas, outros passos serão concretizados, apesar da chiadeira que considerou o documento um acinte, uma tirania buscando a legalização da sociedade nacional.
Por ora, apesar do sepultamento das tentativas de revisão da Lei da Anistia, é licito crer que a Comissão será a ferramenta para azucrinar a paciência daqueles que impediram aos subversivos de quebrar a Lei e a Ordem, bem mais do que eles pretendiam à época, e deixar de barbas de molho as instituições, às quais aqueles "famigerados' agentes da lei pertenciam.
É, bem fez o Exército Brasileiro com o aval das demais Forças Singulares em elaborar um documento para o Ministro da Defesa expondo suas preocupações. Mostra que o moribundo ainda respira.
Mas sabemos cumé, né, os milicos são inconfiáveis.
Por isso, despachem o "papiro" para a "cesta" seção ou ...., e temos conversado.
Brasília, DF, 11 de março de 2011
Gen Bda Rfm Valmir Fonseca Azevedo Pereira