sábado, 4 de dezembro de 2010

FORÇA OU FARSA TAREFA

Álvaro Dias

LULA BATE RECORD DE VIAGENS



Lula completa 470 dias de viagens ao exterior

Eduardo Scolese
Editor-assistente de poder


 
Ao participar ontem e hoje de encontro da Cúpula Ibero-Americana, desta vez em Mar del Plata, na Argentina, o presidente Lula encerrará como recordista absoluto seu ciclo de viagens ao exterior.
Hoje, quando embarcar de volta ao Brasil, terá completado 470 dias em deslocamentos internacionais --o equivalente a 16% de seu mandato de oito anos na Presidência, iniciado em 2003.
A marca não passa perto da de seus antecessores. Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, em seus oito anos no Planalto, passou 347 dias em viagens fora do Brasil (12% do mandato). Bem atrás aparecem Itamar Franco (5%), José Sarney (8%) e Fernando Collor (10%).
Com essa passagem pela Argentina, Lula também arredondará uma marca: a de 150 dias em viagens pela América do Sul. Entre 1995 e 2002, FHC passou 113 dias em vizinhos sul-americanos.

Na comparação entre os dois, o petista vence de goleada em dias na África (54 a 13). Na Europa, por exemplo, a vantagem de Lula é mais apertada (137 a 116).

No pacote de milhagem do presidente, estão 248 visitas ao exterior, com 87 diferentes nações, além da Antártida.
Só pela Argentina Lula passou 18 vezes. Pelos EUA e Venezuela, 13 cada um.


Editoria de Arte/Folhapress
Confiram aqui

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

E vivas ...


"E VIVAS AO ARAUTO DO CAOS E DA ANARQUIA!"

A recente homenagem (1º de dezembro) da Câmara Legislativa de Brasília ao fundador e líder do MST (o movimento que não existe para fins legais, mas é empregado sob os auspícios do desgoverno, para invadir, saquear e destruir propriedades, mesmo as produtivas, e sob os olhares complacentes e protetores do aparato policial) é uma bofetada na democracia, um acinte descarado por parte de um grupo de "para lamentares" que extravasam seu partidarismo ideológico, e destacam a que ponto chegou a sua desfaçatez e os seus verdadeiros objetivos.

Não nos impressiona que deputados mal - intencionados tenham a vergonhosa idéia de propor a benemerência, e se apequenem para tecer loas à nefasta figura, que prega a luta armada entre as classes, contudo, nos espanta que os seus pares, não repilam com determinação a desqualificada imprudência.

O agraciado com a Medalha do Mérito Legislativo deveria, por sua pregação insolente e incendiaria ser levado ao julgamento da sociedade, no entanto, "dar a Cesar o que é de Cesar" é natural num antro de néscios, que se curvam diante da verborragia e da ameaça ambulante que é o seu paradigma.

Incitando a violência, ao invés de tolhido por seus impropérios e, devidamente, enquadrado por promover e liderar invasões e destruições, à margem e ao desplante das leis, vemos a sacralização de um finório que a Nação deveria repudiar.

No expurgo dos verdadeiros heróis, curva – se a sociedade, através de seus representantes, tolamente, diante dos arautos do caos e da anarquia.   

Em alguns já cantam a Internacional Socialista, com fervor, provavelmente, com mais vibração e mais alto do que o Hino da Pátria. Outros louvam a Revolução Bolchevista, a Revolução Cubana, e estudam com afinco, a vida e o desumano desempenho de próceres comunistas.

Aqui, já iniciamos a canonização de falsos heróis, como Marighella, Lamarca, João Cândido (o "Almirante negro") e outros, e pouco falta para darmos adeus à Democracia, e em seu nome, parlamentares ateus e à toas homenageiam cavaleiros de triste figura, não ingênuos, como o legendário Dom Quixote, mas matreiros, insolentes e impunes, propugnadores da violência e do desprezo à justiça, ao bem - privado e  ao bem - comum.

Sim, a cada dia ao estuprarmos os direitos e desvirtuarmos os deveres dos cidadãos, jogamos mais uma pá de terra na cova da liberdade, e avalizamos as distorções, que vivandeiras incólumes, acima da lei e da ordem, e interessadas no caos e na anarquia, assomem como ícones, publicamente, cobertas de deferências, como meritórias figuras.

Pelo andor da carruagem, tudo poderá acontecer, desde o fim da liberdade da imprensa, do direito à propriedade privada, a legalização do aborto, o casamento gay, com a noiva de véu e grinalda, a liberação da maconha, o terceiro mandato, o aumento dos impostos, a volta da CPMF ou similar, a libertação do Battisti, a bolivarização do País, a criação da Comissão da Verdade e o emprego da Forças Armadas como auxiliares em Operações Tipo - Polícia, etc.

Definitivamente, prosseguiremos sob a égide do "nunca dantes na história desse paiz".

Realmente, nunca tão poucos tripudiaram tanto, sobre tantos, durante tanto tempo, sem que recebessem o troco por suas vilanias e inconseqüências.

Brasília, DF 03 de dezembro de 2010

Gen. Bda Rfm Valmir Fonseca Azevedo Pereira



DINHEIRO DE CAMPANHA


03/12/2010 - 08h37

Concessionárias doam R$ 24 milhões à campanha de Dilma

SILVIO NAVARRO

DE SÃO PAULO

A campanha da presidente eleita, Dilma Rousseff (PT), recebeu pelo menos R$ 24,3 milhões de um grupo de nove empresas acionistas de grandes concessionárias de serviços públicos, nas áreas de transportes e transmissão de energia elétrica.

Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Carioca Nielsen, CR Almeida, OAS, Queiroz Galvão, Serveng, Odebrecht e Alusa (energia) contribuíram com a campanha.

A Lei Eleitoral proíbe que concessionárias de serviços públicos façam doações para campanhas. No entanto, tribunais regionais e o próprio TSE (Tribunal Superior Eleitoral) aprovaram, ainda que com ressalvas, esse tipo de doação nas duas últimas eleições --2006 e 2008.

Além das concessões, essas empresas, gigantes no setor de infraestrutura, tocam as principais obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) em ferrovias, rodovias, construção de usinas e na transposição do rio São Francisco.

A situação das contas de Dilma é similar à da campanha de reeleição do presidente Lula em 2006. À época, a área técnica do TSE rejeitou esse tipo de doação, mas o então relator, o ex-ministro Gerardo Grossi, acatou recurso do PT, segundo quem as empresas tinham "personalidades jurídicas distintas" das concessionárias citadas.

Na ocasião, o tesoureiro de Lula também era José de Filippi Jr. (PT), o mesmo que cuidou das finanças agora.

A questão divide especialistas nos últimos anos. Como a Lei Eleitoral estipula que esse tipo de doação é expressamente vedada, o parecer dos técnicos do tribunal tradicionalmente recomenda a rejeição das contas. A decisão final, no entanto, cabe aos ministros.

O plenário do TSE pode aprovar, rejeitar ou aprovar com ressalvas as contas de candidatos e comitês. A posse só é impedida em caso de rejeição, o que é politicamente improvável nesses casos, uma vez que essas empresas fazem doações milionárias a diversos candidatos e partidos políticos.

CONTRATOS

Um terço dos R$ 150 milhões que a campanha de Dilma declarou ter arrecadado nas eleições saiu do caixa de empresas que receberam recursos da União neste ano.

No total, 61 empresas que detêm contratos públicos ou que receberam repasses diretos do governo (fornecedores de estatais, por exemplo) injetaram R$ 49,2 milhões na campanha da futura presidente --incluindo a conta do seu comitê financeiro.

Juntas, elas receberam R$ 2,8 bilhões da União em 2010. Esse valor é ainda maior se somada a UTC Engenharia, doadora de R$ 5 milhões para a campanha, que só neste ano firmou três contratos com a Petrobras, num total de R$ 524 milhões.

A campanha terminou com dívida de R$ 27,7 milhões, que será assumida pelo PT. Filippi chegou a encaminhar carta a empresários pedindo doações já em nome da presidente eleita.

Editoria de Arte/Folhapress

http://www1.folha.uol.com.br/poder/840072-concessionarias-doam-r-24-milhoes-a-campanha-de-dilma.shtml


ISRAEL NÃO PODE PERDER - GUERRA DOS 6 DIAS

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Dilma aposta em desgaste das FFAA

Jorge Serrão

Desgaste para imagem das Forças Armadas, sobretudo o Exército, fazendo o policiamento ostensivo em ações de enxugamento de gelo contra narcotraficantes. Eis a fórmula perfeita encontrada pela futura Presidenta Dilma Rousseff para praticar seu revanchismo pessoal contra os militares. A chefona-em-comando das FFAA vai submeter as tropas a um papel que não é o delas, mantendo-as sob o regime de pão (que o Diabo amassou) e água (estagnada) dos últimos anos.
É consenso entre especialistas que os militares não estão preparados para realizar as atividades de policiamento requeridas pela missão. Soldados são preparados para a guerra, e não para cumprir a função da Polícia Militar. Para piorar a situação, falta amparo legal para atuação das Forças Armadas contra o tráfico, sem a decretação de um Estado de Emergência. Dilma e seus revanchistas apostam que o Exército sairá desgastado desta “missão”.
Ouvido pela Reuters, o coordenador do Núcleo de Estudos de Instituições Coercitivas da Universidade Federal de Pernambuco (Ufpe), Jorge Zaverucha, adverte que há chances de que as tropas sejam corrompidas pelo tráfico, como ocorreu no morro da Providência, em 2008. Na ocasião, 11 militares que cuidavam da segurança de uma obra do governo federal detiveram e entregaram três jovens pertencentes a uma facção criminosa a um grupo rival - os jovens foram mortos, e os soldados acabaram presos.
Os bandidos sabem muito bem como desgastar as Forças Armadas. Resta saber se os militares cairão facilmente na cilada, ou se saberão sair, à francesa, de mais essa armadilha político-ideológica.

COMENTÁRIO DA SEMANA



Comentário nº 80– 30 de novembro de 2010

Gelio Fregapani



Assuntos:  Fatos novos: Petróleo; Resfriamento Global;  Inteligência e RJ

O  Petróleo não acaba tão cedo
  Quando parecia que  o petróleo estava com os dias contados, foram descobertos novos campos gigantes nas costas do Brasil e da África e a exploração das areias alcatroadas canadenses se expandiram tão rapidamente que, agora, eles fornecem à América do Norte mais petróleo que a Arábia Saudita.
Foi noticiado a descoberta pelo Irã de reserva de 34 bilhões de barris no Golfo Pérsico. É três vezes mais que os 10 bilhões de barris anunciados pela BR; isso talvez diminua a cobiça sobre o nosso Pré-sal (embora não diminua sobre os demais recursos da plataforma marítima). Mais promissora ainda é a exploração de gás natural, que aumenta em todo o mundo

Desmanchada a farsa do aquecimento global
A Royal Society deu marcha ré sobre o aquecimento global antropogênico. A principal instituição científica a falar sobre o "aquecimento" causado pelo homem, em um documento publicado após uma rebelião de mais de 40 dos seus cientistas, diz agora que não há a certeza propalada sobre o aumento da temperatura antes prognosticado pela Sociedade.
Segundo a nova posição da Royal Society permanecem "incertezas que provavelmente nunca serão significativamente reduzidas" esvaziando as profecias que davam por certo o aquecimento. As previsões antecipam um Inverno particularmente frio para a maior parte da Europa. Lá, milhões de lares  lutarão para se manter quentes este Inverno, e pior, muitas pessoas poderão morrer de frio

Inteligência de Estado
Nenhum Estado pode prescindir de um setor de inteligência, Os nossos presidentes parecem mais temê-lo do que utilizá-lo.
O SNI necessitava de uma revisão, face ao fim da guerra fria, mas Collor simplesmente o desmanchou. Medo? Com certeza, pois até o congresso descobriu seu esquema de corrupção. FHC, que já recebeu o Órgão neutralizado, limitou-se a conservá-lo em banho-maria. Lula ensaiou uma melhora, mas por via das dúvidas o colocou sob as ordens de um general de convicções pouco firmes. Mesmo assim o Órgão, agora chamado Abin iniciou a prestar serviços relevantes, mas quando avisou do perigo de desnacionalização na Amazônia, Lula preferiu neutralizá-lo novamente, através do Gabinete de Segurança Institucional (general Felix).
Lula, se não despreza pelo menos menospreza o Felix, e parece que nem o recebe, não porque tenha restrições a ele, mas porque não lhe confere importância.
Deveria ser da Abin  o dever de coordenar as informações sobre as ameaças externas e as oportunidades de negócios, bem como a de esmiuçar vidas pregressas e acompanhar as atividades de ocupantes do governo para prevenir escândalos.
Até agora os presidentes civis não quiseram contar com uma estrutura organizada e atuante de inteligência, mas Dilma Rousseff tem dado sinais de que incluirá o setor de segurança institucional entre suas prioridades de governo.
Sobre a próxima saída do Felix, já anunciada na imprensa, podemos dizer como o Tiririca: "pior que está não fica!"

A volta do padrão ouro
Com a crise financeira mundial se agravando, e a preocupação com o colapso do dólar e a instabilidade de outras moedas, não há como não se pensar no padrão ouro, aliás, metal fortemente acumulado nos EUA, Reino Unido e outros, particularmente do Oriente Médio. Aqui na nossa terra multiplicam-se as firmas estrangeiras querendo comprá-lo nos garimpos, quase sempre em troca de moedas de desvalorização certa.
O preço do ouro já está subindo exponencialmente em todo mundo e a luta pelo controle das jazidas será feroz. Certamente também é uma extraordinária oportunidade de acumularmos "divisas". É só o Banco do Brasil e a Caixa comprarem nos garimpos.
Isto remete nosso pensamento para a autonomia das "nações" indígenas e posteriormente sua independência, com virtual protetorado anglo-batavo-americano
Um novo conflito por terra nos moldes da Raposa-Serra do Sol está prestes a acontecer no município de Autazes, AM, entre os índios e fazendeiros, com a possibilidade da criação de três reservas sobre suas propriedades.
A Raposa se transformou numa região marcada pela miséria, fome, marginalidade e tráfico de drogas. A retirada dos não-índios fez com que o mato cobrisse as áreas mais produtivas do Estado. Será que tem tanto ouro em Autazes como tem na Raposa?

Usina Hidrelétrica de Belo Monte
- Mais uma vez o Ibama, cumprindo ordem do estrangeiro,consegue retardar a construção do progresso. O que esse órgão quer realmente? Será manter a Amazônia sem brasileiros para que outros a ocupem e reivindiquem a posse?

A Guerra no Rio
Muito já se escreveu sobre o assunto. Além do aplauso pela apreensão de droga e de armamento, me limitarei a preocupações ainda não aventadas suficientemente
1ª – Não adiantará muito prender ou eliminar os que estavam incendiando os veículos. Estes são familiares de presos menores, forçados a fazê-lo sob ameaça a seus parentes. Maior efeito teria sobre os chefões, castigando-os severamente a cada ação de seus bandidos na rua. Claro, isto não será possível enquanto os direitos humanos dos bandidos forem maiores do que os direitos humanos de suas vítimas.
2º - Os pequenos traficantes mortos ou presos são descartáveis e facilmente substituíveis. Os grandes estão fora do alcance. O segmento que podemos atingir eficientemente é o usuário, que financia tudo. Enquanto quisermos tratá-lo como doente  e coitadinho nada funcionará. Temos que impor pesada multa ou trabalhos forçados, conjugado com uma campanha psicológica como a que foi feita contra o cigarro; centrada não sobre o perigo (que atrai os audazes), mas sobre o mote de que "a droga é para os fracos"
3ª Quando aquele tenente do Exército entregou três traficantes à facção inimiga apareceram o MP e os "direitos humanos" para atacar o Exército. O Beltrame disse "o Exército não está preparado para atuar na Segurança Pública..."   Agora, por passe mágica, o Exército virou "a solução para o Alemão"...  Mais cedo ou mais tarde alguém terá que atirar. Será processado também?
4ª Os praças das Forças Armadas não tem permissão de portar armas em casa e agora passaram a ser ameaçados pelos traficantes. Não há como protegê-los em suas casas nas favelas. Vamos deixá-los sem possibilidade de se defender?
Todos sabemos que a responsabilidade terminará nas mãos do Exército, e que em breve o atual aplauso das comunidades se transformará em descontentamento, pelo prejuízo à estrutura econômica baseada no tráfico. O Exército sabe que só poderá ter sucesso acumulando o poder militar com o poder político, sob lei marcial. Ou não?

                                            Que Deus guarde a todos nós


 

LULA - MENSALÃO FOI TENTATIVA DE GOLPE

Senador Álvaro Dias

Em discurso hoje, durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o presidente Lula agradeceu aos integrantes do órgão a lealdade durante a crise do mensalão, em 2005.O presidente tratou o escândalo como uma tentativa de golpe. “Eu quero agradecer àqueles companheiros que eram do Conselho, que no auge da crise de 2005, eu nunca disse isso, mas naquela tentativa de golpe que tentou se dar no Brasil, vocês permaneceram no conselho. Vocês não desistiram do conselho “, disse. Lula insinuou que a tese do mensalão era mentirosa, ao dizer que os membros do conselhão “não se permitiram enganar com determinado tipo de discurso”.

HABIB - UM HISTÓRIA

Habib – uma história a partir da história 
 
Quem acompanha o noticiário da imprensa, sabe muito bem que o Oriente Médio é uma das regiões mais conturbadas e violentas do mundo. As causas são muitas para que ali, exatamente naquela região do mapa, os confrontos de interesses econômicos e de fé religiosa encontrem o seu ponto de ebulição há tanto tempo. 
As grandes potências mundiais nos últimos dois mil anos foram sistematicamente movidas por razões econômicas, principalmente, mas também religiosas a se envolverem em guerras de conquista naquela região com a finalidade de exercer o domínio sobre toda ou parte dela. Por outro lado, internamente sempre houve motivos para que os povos cuja origem está ancorada lá mesmo alimentassem animosidades históricas. Assírios, fenícios, caldeus, curdos, egípcios, judeus, persas, palestinos, turcos e tantos outros praticaram ao longo de milênios um convívio que em nenhuma hipótese pode ser considerado harmonioso e pacífico. 
Nos dias atuais, como todos sabem, a intervenção americana no Iraque e o milenar conflito árabe-israelense são dois exemplos consistentes do que foi mencionado anteriormente, capazes de atrair diariamente o noticiário internacional dos meios de comunicação. 
É preciso, porém, voltar na história no mínimo 11.000 anos e peço licença ao leitor para um breve regresso nela, com a finalidade de compreender melhor as razões que tornaram o Oriente Médio o barril de pólvora que hoje é.  
A história é fascinante, por isso acredito que valha a pena discorrer um pouco sobre ela para chegar à pessoa simples e quase anônima de um palestino carinhosamente por nós, brasileiros, chamado de Habib que é a personagem central deste texto, cuja trajetória de vida pretendo contar mais adiante.
Na verdade, foi no Oriente Médio, no chamado crescente fértil que toda história da civilização ocidental teve origem. O crescente fértil é assim chamado por ter a forma imaginária de uma meia lua que tem uma ponta assentada na região do Rio Nilo, no Egito, sua borda superior margeia a costa do Mediterrâneo, passa pelo sul da Turquia, pelo Irã e acaba no atual Kuwait. Já o seu limite sul passa pelo Iraque, Jordânia, Israel e termina no mesmo Egito. Nesta pequena área geográfica, favorecida pelo clima, pelo solo e fauna, há mais de 11.000 teve começo uma onda desenvolvimentista extraordinária, onde a espécie humana deu o chamado salto para adiante provocando o surgimento de diversos povos que rapidamente progrediram em muitas áreas, criando as bases para a atual civilização do mundo ocidental. 
Foi nesta região que o ser humano encontrou as condições favoráveis para alcançar um progresso nunca antes experimentado, deixando a condição de simples caçadores-coletores para evoluir para a agricultura, pecuária, domesticação de animais, metalurgia, além de inaugurar as primeiras sociedades politicamente organizadas. Os primeiros impérios, a escrita, as artes nas suas mais diversas manifestações desenvolveram-se no crescente fértil como nunca havia acontecido em nenhum outro local no planeta, gerando ao longo dos séculos um efeito expansionista e multiplicador em todas as direções, principalmente Europa e Ásia, onde ocasionou o surgimento de novos centros de poder de abrangência globalizada. 
Já em tempos mais recentes, o Oriente Médio tornou-se a encruzilhada do mundo por ser passagem obrigatória das grandes rotas comerciais e terem aí surgido as três únicas religiões monoteístas do mundo. As cruzadas foram os primeiros conflitos bélicos de grandes proporções alimentados por antagonismos que colocaram frente a frente mais de um milhão de pessoas em 300 anos de batalhas sangrentas, cuja causa determinante foi a fé religiosa. Centenas de milhares morreram por ela.
Nos dias atuais, a busca do petróleo e o domínio das regiões produtoras continuaram sendo a causa de sucessivas guerras que têm o crescente fértil como palco. 
Por outro lado, a fé religiosa e a disputa do território da antiga Palestina colocam novamente frente a frente judeus e árabes num conflito que todos sabem onde começou, mas ninguém pode garantir quando e se um dia terminará.  
Razões econômicas e religiosas são, portanto, os grande ingredientes para deixar no ar e na terra de todo o Oriente Médio um constante clima de conflito que já ceifou a vida de milhões de seres humanos. Paradoxalmente no mesmo lugar onde este mesmo ser humano há milhares de anos atrás iniciou uma trajetória vitoriosa para alcançar a sua autonomia como animal diferenciado dos demais.
Entre as muitas guerras em que judeus e árabes se envolveram, quero destacar a de 1957, na qual os israelenses não só consolidaram definitivamente a posse da antiga Palestina, como também conquistaram amplos territórios do Egito, Jordânia, Síria e Líbano, seus vizinhos mais próximos. 
As Nações Unidas, organização criada após a 2ª GM com o intuito de manter uma paz estável no mundo, interveio naquele conflito, restabelecendo em parte as antigas fronteiras entre os países vizinhos envolvidos. Estabeleceu também que, na medida em que Israel abdicasse dos territórios conquistados, abrir-se-iam espaços na Faixa de Gaza e na Cisjordânia para abrigar, na condição de refugiados, o povo palestino expulso de seu antigo território, agora ocupado pelo Estado de Israel.
Mais ainda. Foi criada uma força internacional de paz, sob os auspícios da ONU que deveria zelar pelo “status quo” acordado diplomaticamente e aceito pelas partes. 
O Brasil foi um dos integrantes dessa tropa com um contingente de um Batalhão de Infantaria, inaugurando uma longa tradição do nosso país de participar, desde aquela data, de muitas outras forças de paz da ONU nos mais diferentes locais do planeta e que dura até hoje. 
Durante dez anos a Força de Emergência das Nações Unidas zelou pela paz na região, cumprindo integralmente a sua missão. Talvez tenha sido o período mais longo desde a criação do Estado de Israel em que não houve confrontos bélicos entre judeus e árabes. Também, durante dez anos o Exército Brasileiro esteve presente nesta gloriosa missão com 20 contingentes, batalhões de infantaria, cujos integrantes, cerca de oito mil, não só conheceram as características de outros povos do mundo como também mostraram a eles o profissionalismo, a determinação e o espírito humanístico do soldado brasileiro. 
A sede do Batalhão Brasileiro, chamado Batalhão Suez, ficava junto a cidade de Rafah, bem ao sul da Faixa de Gaza, assim que da cerca dos fundos do quartel, podia-se observar toda a cidade. Muitos de seus habitantes, todos refugiados da antiga Palestina, freqüentavam as instalações do Batalhão quer como proprietários de pequenos comércios existentes no seu interior, quer como prestadores dos mais diferentes tipos de serviço. 
Dentre estes, destaco a figura de Youssif  Awmi el-Shawwa, um garoto que, em 1965-66, tinha cerca de 17 anos, época em que lá estava o 18 Contingente Brasileiro. Youssif era conhecido como Habib, apelido colocado pelos brasileiros que em árabe significa amigo. Ele prestava pequenos serviços para os integrantes dos contingentes brasileiros que por lá passaram desde quando tinha 10 anos de idade, tendo neste período praticamente aprendido a falar português. 
Habib era um garoto afável, educado e muito prestativo de quem todos gostavam. Curioso, conversava muito com os brasileiros sobre a nossa terra, o que fez alimentar nele o sonho de um dia vir para o Brasil e aqui construir o seu futuro. No ano de 1966, Habib conheceu o então Major Aroldo José Machado da Veiga que era o S4 e fiscal administrativo do 18 Contingente, com quem teve contatos bastante freqüentes pelos serviços que o oficial brasileiro o incumbia de realizar. Acabaram tornando-se amigos. Habib um dia contou a Veiga o seu sonho. Ora, Veiga tinha servido por muito tempo em São Paulo, onde tivera a oportunidade de conhecer e estabelecer boas relações com a colônia árabe da cidade, fazendo bons amigos entre eles. 
Conhecedor do sonho de Habib, Veiga se engajou nele e começou a montar um plano ousado e perigoso, porém possível. O objetivo do plano era trazer Habib para o Brasil. A única chance era ele vir como clandestino, já que aos refugiados palestinos somente eram concedidos passaportes e permissão para sair da área em condições excepcionais. A um menor de idade, desacompanhado, então, isto só seria possível através de uma operação muito bem concatenada. 
Pois bem, Veiga planejou tudo e executou seu plano melhor ainda. Primeiro escreveu para alguns de seus amigos da colônia árabe de São Paulo que imediatamente se prontificaram a receber Habib, assim que ele chegasse ao Brasil. No contingente sueco tinha também amigos que logo se mostraram dispostos a participar da aventura, encarregando-se das providências logísticas para transportar o garoto clandestino para nosso país. Com a família de Habib, Veiga estabeleceu contato e obteve dela plena permissão para que o filho viesse para o Brasil nas condições que ele expôs a ela.
Assim tudo aconteceu. Um belo dia, o garoto Habib embarcou clandestinamente num avião militar sueco em El Arish, viajou para Stokolmo e lá, com arranjos previamente realizados, ele foi colocado num vôo da SAS para São Paulo. 
A partir daí ninguém mais soube dos passos de Habib. Em 1967, a Força de Paz da ONU foi extinta, após a eclosão da Guerra dos Seis Dias e nenhum brasileiro mais teve contato com a família de Habib. Tampouco o Maj Veiga que acabou não sabendo quem acolheu Habib quando ele chegou a São Paulo, muito menos qual o seu destino no Brasil. 
Passaram-se quase 40 anos sem que ninguém dos que sabiam da história de Habib tivessem conhecimento de seu paradeiro, apesar dos esforços de alguns deles, principalmente Veiga. Veiga, até passar para a reserva como coronel, tentou de todas as maneiras saber onde andava aquele garoto esperto que ele num momento de coragem e ousadia, contrariando leis e regulamentos, mas num profundo gesto humanitário, ajudara a sair da Faixa de Gaza. 
No ano de 2004, um integrante do 20, último contingente brasileiro em Suez, profundamente marcado para o resto da vida pelos momentos angustiantes por que passou na Faixa de Gaza durante a Guerra dos Seis Dias em 1967, resolveu dedicar suas horas vagas para desvendar este intrincado mistério. Fernando Vargas, este o nome dele, bem sucedido na vida e já quase aposentado no seu trabalho na área do turismo no Rio de Janeiro, virou mundos e fundos e, com o auxílio da internet, esta magnífica ferramenta da modernidade, finalmente descobriu o paradeiro de Habib no Brasil.
Vargas encontrou Habib em Rio Branco, capital do Acre. 
Mas Habib não era mais aquele Habib frágil, pobre e, na sua condição de refugiado, destituído de cidadania dos tempos de Rafah. Habib era agora o Sr Yussif, figura importante da sociedade de Rio Branco, respeitado e reconhecido como um dos maiores empresários do estado. As mais importantes obras do Acre, prédios, pontes, estradas, tinham sido erguidas pela maior construtora do estado, cujo proprietário era nada mais nada menos que Yussif 
Além disso, Yussif, ou Habib como nós integrantes do Batalhão Suez continuaremos a chamá-lo carinhosamente para sempre, tem interesses em muitas outras áreas no Acre como a pecuária, proprietário que é de grandes fazendas, além do comércio propriamente dito do qual nenhum árabe que se preze pode ficar afastado. 
Casado, a esposa de Habib é, também, figura importante na política do estado, já tendo sido secretária da educação de Rio Branco e do Acre. Suas três filhas, todas com curso superior, ajudam-no a administrar os negócios da família, além de serem bem sucedidas em suas próprias carreiras. 
No ano de 2004, em outubro, Habib foi convidado por Fernando Vargas a participar das comemorações do Dia das Nações Unidas que, no Rio Grande do Sul, anualmente tem lugar no Quartel do 18 BIMtz, hoje sediado em Sapucaia do Sul. O 18 têm vínculos históricos com o Batalhão Suez porque foi a unidade onde foram preparados os três contingentes gaúchos daquela força de paz.
Habib aceitou o convite e veio ao Rio Grande do Sul, comparecendo à solenidade. Fez a longa viagem para encontrar velhos conhecidos a quem em outras épocas na distante Rafah prestara serviços mas cujas imagens sempre guardara na memória como amigos. Veio também e, principalmente por isso, para rever o Cel Veiga, seu grande benfeitor. Mas não veio só. Trouxe a esposa, além de amigos do Acre, todos figuras importantes da sociedade local – um ex-senador da república, deputados estaduais, personalidades do poder judiciário – mostrando assim o reconhecimento que o povo daquele estado tem por um imigrante que um dia lá chegou pobre e desprotegido mas que com disposição, inteligência e muito trabalho alcançou a posição que hoje ocupa. 
O quartel do 18 BIMtz viveu naquele dia momentos de grande emoção. Passados 40 anos, ninguém reconheceu Habib, nem Habib reconheceu nenhum dos ex-integrantes do Batalhão Suez que lá estavam, com os quais fizera amizade na distante Rafah há tanto tempo atrás. 
Tive o prazer de apresentar Habib e contar sua história para aqueles senhores já encanecidos pelo tempo, presentes à comemoração que olhavam perplexos para o cidadão elegantemente trajado que estava postado ao meu lado. Custaram a acreditar na minha história, mas a memória deles foi se avivando e de vagar foram se chegando dominados pela emoção que sequer deixou alguns deles falar, inclusive Habib. Houve abraços, lágrimas copiosas e muita felicidade naquele encontro histórico. Acredito que jamais haverá outro igual. 
Muitas histórias aconteceram durante os 10 anos em que o Exército Brasileiro se fez presente no Oriente Médio. O contato com a população palestina, o deserto, o patrulhamento dia e noite da fronteira, o convívio com outros exércitos do mundo, a Guerra do Seis Dias foram todas experiências inesquecíveis que todos os brasileiros que pertenceram ao Batalhão Suez viveram, cada um ao seu modo. Muito pouco disso foi documentado, ficando apenas como história oral que pais e avós contam para filhos e netos e amigos contam para amigos. 
Mas a história de Habib é única, por isso resolvi escrevê-la.  
Ela contém, além de tudo que relatei anteriormente, um componente extraordinário que não pode ficar no esquecimento de todos nós. Habib é fruto de um caldo de cultura milenar, nele estão sintetizados os primeiros passos do ser humano como membro de uma sociedade que saiu das cavernas e conquistou o mundo. Mas Habib também sintetiza, por outro lado, as oportunidades que um novo mundo, o Brasil, lhe proporcionou, não lhe perguntando de onde veio, de quem descende, que língua fala, só querendo saber se estava disposto a trabalhar honestamente e lutar pelo crescimento deste país. Em troca, lhe deu tudo o que ele tem hoje.  
Esta é a história de Habib.


Flávio Oscar Maurer

maurer1940@gmail.com

LULA DEFENDE AERODILMA

Senador Álvaro Dias


O presidente Lula defendeu a compra do Aerodilma. A compra do novo avião presidencial, com mais autonomia de voo, já vem sendo estudada pelo Planalto. Segundo o presidente, “não tem por que não comprar”, apesar de o custo ser mais de cinco vezes superior ao do Aerolula. Para Lula, Brasil passa “humilhação” pelo fato de o atual avião ter autonomia de 12 horas, insuficiente para deslocamentos diretos para determinados pontos do planeta.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O MANTO DO SILÊNCIO

Míriam Leitão - O Globo


Eu posso explicar atos extremos cometidos por jovens durante a ditadura. Os que, naquela época, tomaram o poder empurraram os jovens para corredores estreitos que não levavam a outro caminho que não a radicalização ou omissão. O que não posso entender é como hoje, quatro décadas depois, se queira impedir o acesso à informação sobre aquele passado sob que pretexto for.
Pessoas que jamais fariam o que fizeram foram sendo envolvidas na lógica da radicalização. Mesmo os que não pegaram em armas, não entraram nos grupos mais radicais de guerrilha urbana ou rural, sabem da engrenagem do absurdo. Uma ditadura faz isso. Ela fecha portas a quem quer participar da política e influir nos rumos nacionais. A maioria se abstém; uma parte não está convencida de que haja possibilidade de fazer alguma diferença, os mais convictos querem fazer algo e, dentre eles, os mais afoitos acabam cometendo atos que os jogam no meio de uma guerra. Eles nada disso fariam se o governo não estivesse dominado por um poder ilegítimo e repressor como o que tivemos aqui de 1964 a 1985.
Há uma diferença entre os que, na oposição, praticaram atos que, aos olhos de hoje, são condenáveis, e os que dentro do aparelho do Estado torturaram e mataram. Os primeiros são vítimas; os outros, algozes. Assim é e assim será, mesmo que haja casos de vítimas inocentes atingidas pelos dois lados. Nada justifica a ditadura. Nenhum argumento da época ou de hoje é sólido o suficiente para abonar atos condenáveis como as cassações políticas, perseguições, tortura e morte de opositores políticos. Como definiu Ulysses: “a sociedade foi Rubens Paiva e não os facínoras que o mataram.”
A presidente eleita participou desse confronto em que de um lado havia o terror de Estado e do outro um grupo reduzido de jovens. Alguns deles foram mais longe, pegaram em armas, se militarizaram, entraram em confronto físico, morreram ou viram seus amigos morrer. Ela diz que se orgulha desse passado, não deve ter medo de discuti-lo e explicá-lo às novas gerações. É natural que o Brasil queira conhecer a história da presidente que nos vai governar por quatro anos. Interromper esse debate por ato de censura, como foi o do Superior Tribunal Militar, no período pré-eleitoral, ou agora, sob a acusação de que toda aquela informação é lixo, é entrar numa contradição insanável. Quem tem orgulho do seu passado, quem acha inclusive que merece ser indenizado por ele, não pode impedir que ele seja conhecido de forma objetiva e completa. Não pode impor um roteiro edulcorado do passado, sob pena de criar mitos, versões falsas, manipular os fatos.
Todos os que eram jovens naquela época gostam hoje de se creditar pelos riscos que apenas alguns correram. Uma das verdades é esta: foram poucos os que tiveram coragem e conhecimento do que realmente se passava no país. Era difícil até obter a informação que levava os jovens à ação — armada ou não — contra o regime. A falsificação sufocante e majoritária era de um “país que vai pra frente”; a cobrança comum era de que toda crítica ao governo era um ato impatriótico. O país crescia no milagre dos anos 1970. Era mais fácil acreditar apenas na informação onipresente de que o governo estava certo e o presidente era muito popular porque era torcedor de futebol. A bolsa subia, o país estava com pleno emprego, e os poucos que chegavam à universidade tinham enormes chances. Sobre a vasta exclusão não se falava nos órgãos de imprensa, ou por censura ou por decisão editorial. Esperto era ser individualista, ganhar dinheiro e esquecer aqueles fatos incômodos levantados por alguns poucos de que o país estava num caminho inaceitável.
Ficou no imaginário popular a beleza das manifestações de 1968. Mas aquilo foi por pouco tempo e no momento mais suave do regime. Depois, veio o Ato Institucional número 5. Em seguida, o terror de Estado. Quem subia em palanques para lutar com palavras foi empurrado para a radicalização. Quem foi o culpado pelo radicalismo? Ora, os comandantes militares e seus cúmplices civis que tinham o controle do Estado e usaram todas as instituições para sufocar qualquer contestação.
Esse era o contexto. Não se pode julgar os jovens militantes de esquerda daquele tempo com os olhos de hoje. Estou convencida de que se, diante das manifestações de 1968, o regime tivesse reagido dialogando não haveria o que houve.
Hoje, 40 anos depois, o país tem que olhar para esse passado sem vetos. Nunca peguei em armas, mas posso entender quem o fez, porque vi o contexto e sei para onde o terrorismo de Estado empurrava os que, em vez de pensar só em si e nas suas carreiras, tinham vontade de influenciar os destinos do país. Mesmo que estivessem errados em suas convicções, estavam certos na atitude de se opor à ditadura. E foram os mais corajosos.
As novas gerações têm que olhar e debater esse passado. Há quem se pergunte se informações retiradas sob tortura podem ser publicadas. É uma dúvida legítima. Mas a imprensa — como tem feito em algumas matérias — está ouvindo de novo as testemunhas dos fatos, e, quando elas hoje confirmam o que disseram, qual é a justificativa para não publicar? Manter a versão única de quem hoje detém o poder é aceitar de novo a censura.
Não há nada que justifique o manto do silêncio sobre o passado, como esse país fez tantas vezes com vários dos eventos históricos. Só a História resgatada e conhecida pode ensinar o país a não repetir os mesmos erros.

Lula 3, a presença

Por Miriam Leitão


A presença do presidente Lula no Ministério do governo Dilma Rousseff está sendo maior do que se previa. Ninguém duvidava que a interferência do presidente seria grande, mas começa a passar da conta e das cotas. Até agora, dos indicados e dos em cogitação, só não foi ministro, ou ligado ao governo Lula, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel.
Pimentel é escolha pessoal da presidente, os dois têm uma longa relação de amizade, e está cotado para o Ministério do Desenvolvimento, mas os outros escolhidos têm relação mais estreita com o presidente que está saindo do que com a presidente que está entrando.
A permanência do ministro da Fazenda, Guido Mantega, como ficou público, foi pedido do presidente Lula. Miriam Belchior, quadro do PT do ABC, tem ligações muito mais antigas com o presidente do que com a presidente eleita. O assessor especial, Marco Aurélio Garcia, é o mesmo que conduziu a indigesta política externa, sendo o poder atrás da cadeira de chanceler durante os últimos oito anos.
O ministro Antonio Palocci evidentemente tem ligações históricas com Lula. Durante a formação do governo, em 2002, foi ele quem chamou Dilma para o escritório de transição. Mas depois os dois divergiram publicamente quando ela foi para a Casa Civil. A reaproximação aconteceu durante a campanha, quando ele se tornou uma peça-chave. Mas Palocci é mais ligado a Lula que a Dilma. O mesmo se diga de Paulo Bernardo, que assumirá o Ministério das Comunicações. Na Secretaria-Geral da Presidência estará Gilberto Carvalho, que, como todos sabem, é leal servidor de Lula. O ministro da Defesa, pelo visto, permanecerá sendo o mesmo Nelson Jobim. Ontem, o presidente continuou sua campanha para manter Fernando Haddad na Educação e oi bem explícito: “Não estou satisfeito porque Haddad ainda não foi confirmado.” A superdose de lulismo no Ministério está fazendo com que esse governo se pareça um terceiro mandato. Está definitivamente faltando dilmismo no governo Dilma.
O país está cheio de ineditismos. O presidente Lula mesmo faltando 31 dias para sair do governo ainda não se enfraqueceu. Os americanos usam a expressão “pato manco” para um presidente em vias de deixar o cargo, após a eleição do sucessor. No Brasil, a brincadeira que se faz é que no final nem o garçom do Palácio do Planalto serve mais o cafezinho. Um dos fatos inéditos é que Lula preservou sua força mesmo neste finalzinho de governo, e pela nomeação de um ministério com a sua cara, mais do que com a cara da própria presidente, ele extrapola seu mandato. Não pode “desencarnar”, para usar uma expressão do próprio presidente, quem faz tanta questão de manter tudo à sua imagem e semelhança no mandato subsequente ao seu.
De novo, até agora só mesmo o avião que o presidente Lula quer comprar para os deslocamentos da presidente. Apesar de ter comprado o AeroLula em 2005, agora está em vias de se iniciar os procedimentos para a compra de outro avião.
Havia duas certezas sobre Dilma: de que ela seria muito influenciada pelo presidente Lula; e de que sua forte personalidade no entanto a faria imprimir sua marca mesmo aceitando a influência do atual presidente. Só a primeira certeza se confirmou até o momento.
E daqui para diante há pouca chance de que isso aconteça, porque ontem começaram as negociações com o PMDB para a indicação dos ministérios do partido. A conversa sintomaticamente foi com o vice-presidente, Michel Temer, e com o ex-presidente José Sarney. Um dos nomes cogitados é o de Edson Lobão para o Ministério das Minas e Energia. Ele foi do governo Lula, aceitou de bom grado o comando da então ministra-chefe da Casa Civil, que continuou mandando no Ministério das Minas e Energia, mas todo mundo sabe qual é a sua primeira lealdade: José Sarney. Para a Saúde, vai um escolhido de Sérgio Cabral, o Sérgio Côrtes.
Outro ineditismo é que essa é a primeira vez desde a redemocratização que há um vice-presidente forte. O Sarney não teve vice, porque ele mesmo foi o vice que assumiu. O ex-presidente Collor teve um vice com o qual se desentendeu mas que não teve, a não ser quando Collor estava caindo, força para mobilização de bancadas. O vice do ex-presidente Fernando Henrique foi o discreto, suave, e completamente adaptado à sombra, Marco Maciel. O vice do presidente Lula é um empresário de sucesso, mas um político neófito sem um partido importante a respaldá-lo.
Agora é diferente. Michel Temer fez sua demonstração de força ao organizar o “blocão”. Foi uma reação à decisão de Dilma de passar o primeiro dia reunido apenas com petistas. Temer não será um vice apagado como os outros.
É da natureza da cadeira de presidente fortalecer quem se senta nela, por isso a expectativa é que em algum momento a presidente Dilma Rousseff demonstre ter as rédeas de seu próprio governo. Acontecerá ao longo do mandato, mas quando ela reduzir a presença extravagante das pessoas de confiança estrita do presidente Lula em seu governo.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

COMENTÁRIO DE MÍRIAM LEITÃO NO BOM DIA BRASIL

DIPLOMACIA BRASILEIRA POUCO MAIS RIDÍCULA


30/11/2010 às 7:17

Telegramas revelados pela WikiLeaks tornam diplomacia brasileira um pouco mais ridícula do que já era

Alguns telegramas a que a organização WikiLeaks teve acesso dizem respeito ao Brasil, ainda que não diretamente, e expõem, uma vez mais, ao ridículo a nossa diplomacia. Há dias, na reunião da Unasul, Lula voltou a atacar os EUA e o presidente Barack Obama, afirmando que o Brasil havia feito tudo o que o presidente americano sugerira na negociação com o Irã, mas as sanções foram aprovadas mesmo assim. Já demonstrei  que a leitura que o governo tentou fazer daquele documento era uma pilantragem intelectual. Mas isso é o de menos. Os telegramas demonstram quão longe da realidade — e das informações relevantes — estavam Lula e seus rapazes. Para ler a íntegra da reportagem do New York Times, clique aqui.
A China tinha receio de aprovar sanções ao Irã porque importa 12% do petróleo de que precisa daquele país. Como a Arábia Saudita era favorável às medidas, Obama resolveu unir os interesses. Despachou o conselheiro Dennis B. Ross para Riad — atenção! — em abril do ano passado para negociar com o rei Abdulah a garantia de fornecimento de petróleo aos chineses caso os iranianos decidissem retaliar. Notem: os EUA costuravam o apoio de Pequim em abril de 2009. Mais de um ano depois, o Megalonanico Celso Amorim insistia em resistir às sanções…
Faltava ao governo americano convencer outro membro pemanente do Conselho: a Rússia. Ao longo de 2009, o país deixou claro que não aceitava a instalação de escudos antimísseis na Polônia e na República Checa. Não estava convencido de que o objetivo era proteger a Europa do Irã e sustentava tratar-se de algo hostil à Rússia. No dim de 2009, Obama já havia desistido dos escudos. E obteve mais um voto em favor das sanções. O que isso tudo revela?
A patetice do governo brasileiro quando decidiu estrelar uma ação de alcance realmente global, baseado no princípio lulístico de que é preciso, como é mesmo?, manter uma conversação "olhos nos olhos", como numa música de Chico Buarque. O mundo é um pouco mais complexo do que isso. Os telegramas evidenciam que a costura feita pela diplomacia e pelo governo americanos foi bem mais lenta, paciente e calculada do que se imaginava. Não é coisa com a qual um Marco Aurélio Garcia, que vai continuar no governo, deva se meter.
Argentina
Também na América Latina os "aliados" de Lula andaram costurando às suas costas. A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, usou uma reunião com um grupo de congressistas dos EUA, liderada pelo democrata Eliot Engel, para transmitir o seu descontentamento com as relações tensas entre seu país e os EUA. Segundo o relato da embaixada, Cristina explica que, apesar das diferenças políticas, seu marido, Néstor Kirchner, esteve com o presidente George Bush um mês depois de eleito, e ela não conseguia se encontrar com Obama. Até aí, ok.
Mas Cristina foi além. Reclamou que o presidente americano recebeu o nosso Babalorixá, embora Lula tenha se encontrado com Ahmandinejad — a referência, nesse caso, é a visita de Lula ao Irã — enquanto a Argentina se opõe duramente ao programa nuclear iraniano. A reclamação surtiu efeito. No dia 12 de março, Obama manteve um encontro com Cristina.
Como se vê, quando a diplomacia brasileira não dá uma de pateta global, é esfaqueada pelas costas no próprio quintal. Nunca antes na história destepaiz!
Por Reinaldo Azevedo

Brasil. Transporte


Brasil é o último no ranking de transporte

O Brasil lidera a lista das piores estruturas de transporte e logística, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O trabalho selecionou 14 países com características econômico-sociais semelhantes às do Brasil e com participação no mercado internacional. Foram avaliados os setores de transportes, energia e telecomunicações. No geral, o País ficou com a terceira pior colocação, à frente apenas de Colômbia e Argentina. Mas, no item transportes, ninguém desbancou o Brasil. A infraestrutura portuária teve a pior classificação. A qualidade da infraestrutura ferroviária deixou o Brasil na penúltima colocação. A qualidade das rodovias ficou com o 12.º lugar e o transporte aéreo, em 11.º lugar. O grande desafio do próximo governo,aponta o estudo, será aumentar o volume de recursos destinados ao setor de infraestrutura logística, dos atuais 1,8% do PIB para, no mínimo, 4% ao ano.

Sen. Álvaro Dias

Confira aqui

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Violência, drogas, aeroportos e AeroDilma

No pronunciamento de hoje no plenário, abordei a violência no Rio, o drama nos aeroportos e a compra do Aerodilma. Manifestei meu apoio à ação anticrime no RJ, defendendo rigor no combate ao contrabando de armas e de drogas nas fronteiras, especialmente na tríplice fronteira onde estima-se que seja porta de entrada de 80% da droga consumida no País. O que nós não entendemos é por que tanta omissão em relação à tríplice fronteira. Se sabemos qual a origem do crime, se sabemos onde ele pode ser originalmente combatido, por que não fazê-lo? Não podemos gerar falsa expectativa com relação à aprovação de leis no Congresso. Já temos uma legislação poderosa, que podemos aprimorar, mas é preciso que a autoridade se imponha e que a legislação seja cumprida . Sobre a compra do aerodilma, cinco vezes mais caro que o aerolula, destaquei no plenário que isso, definitivamente, não é prioridade em tempos de ajuste fiscal, principalmente quando constatamos que menos de 1% das obras em aeroportos foram executadas e pouco dinheiro foi investido: de R$5,6 bilhões previstos, apenas R$49 milhões foram gastos.E a situação é de caos, se agravando a cada dia, com passageiros encontrando dificuldades para embarcar. Portanto, esse passa a ser um grande desafio para o novo governo já que teremos Copa do Mundo em 2014 e Olimpíadas em 2016.

Sen. Álvaro Dias
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Teenage Tourette's Camp

Teatro e síndrome de Tourette