Por Cristina Benevides
Penso, logo existo. René Descartes
A escultura O Pensador, do artista francês Auguste Rodin evidencia alguém mergulhado na solução de um problema objetivando uma resposta clara. A vitoriosa Dilma Roussef se mudou de mala e cuia para a Granja do Torto, levando inclusive a mãe e uma tia para a nova morada. A Granja do Torto é residência de veraneio da Presidência da República. Pois bem, era isto o que me inquietava, agora faz sentido trazer o Pensador a cena.
Impressionava-me que ninguém comentasse a mudança de Dilma a Granja, uma vez que pensava que mesmo sendo justo, era imoral, mas não opinava por desconhecer o assunto. Agora lendo o artigo esclarecedor do jornalista Gilmar Corrêa, que magistralmente aborda a questão, minhas dúvidas se dissiparam, confira abaixo a lúcida opinião de Gilmar Corrêa editor-adjunto do ucho.info.
Revolta das galinhas
A Granja do Torto é uma espécie de casa de veraneio da Presidência da República. Inaugurada três anos antes da capital federal, em meio ao cerrado, serviu de residência para alguns presidentes, entre os quais, João Goulart e João Figueiredo. O presidente-metalúrgico Lula da Silva preferiu usar o lugar para as festas juninas e esporádicas reuniões de ministérios.
É uma propriedade do governo federal mantida com o dinheiro público. O nosso, o seu, o de todos os brasileiros. Todo o serviço de conservação e guarda é de responsabilidade do Gabinete Militar. A segurança é garantida por soldados do Exército, especialmente do Batalhão da Guarda Presidencial, que também faz sentinela no Palácio do Planalto, no Palácio da Alvorada e também no Palácio do Jaburu. Essas duas últimas propriedades públicas ocupam extensa área e servem de residência para o presidente da República e do vice-presidente. Certa vez, sem ter o que fazer, o vice-presidente José Alencar (PRB) chegou a contar 25 mil árvores no Jaburu.
Pois bem, essa apresentação foi necessária para questionar a ocupação que a ex-ministra Dilma Rousseff faz da Granja do Torto. Repito: imóvel público. Com que direito ela se arvora e o governo permite ocupar a Granja do Torto? Ela nem mesmo foi diplomada e tão pouco assumiu o cargo de presidente. Dilma, portanto, é uma cidadã comum que venceu um pleito eleitoral no segundo turno.
Há quatro dias caminhões retiraram a mobília da casa do Lago Sul, até então residência da ex-ministra, e levaram os objetos para a Granja do Torto. Transferiu-se para lá com todos os serviços e segurança pagos pelo erário público (por mim, por você, pelos brasileiros) para costuras fisiológicas, para acertos políticos e discussão da futura administração.
Causa maior estranheza porque essas costuras políticas poderiam ser feitas no Centro Cultural Banco do Brasil, local escolhido como escritório da transição de governo. E porque Dilma não continua pagando do seu bolso o aluguel na mansão no Lago Sul?
A permanência da presidente eleita na Granja mais parece uma ocupação de terras pelo MST. Os sem-terra invadem propriedades particulares, desafiam a Justiça e a polícia. Jogam no lixo a legislação tupiniquim. Dilma não estaria desafiando a lei? Afinal, é legal a ocupação da Granja do Torto por Dilma?
Dilma também tem usado aviões da Força Aérea Brasileira em seus deslocamentos, como aconteceu no último final de semana. Ela voou para Brasília em avião da FAB depois de almoçar na casa da filha e ver o neto Gabriel, de dois meses. Como se sabe, a presidente eleita não ocupa nenhum cargo público desde abril, quando se desincompatibilizou do cargo de ministra-chefe da Casa Civil para concorrer às eleições de outubro.
Para avacalhar ainda mais com a nossa republiqueta, Dilma Jane, a mãe, de 86 anos, anuncia que vai acabar com as galinhas na Granja do Torto. A mãe e uma tia, que vivem em Belo Horizonte, vão morar com ela em Brasília. Primeiro, temporariamente, na Granja, depois no Alvorada a partir de primeiro de janeiro. Então porque acabar com as galinhas? Pelo menos deixem as galináceas vivas.
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