Dora Kramer
O Estado de S. Paulo
Sempre foi muito difícil conversar com Luiz Inácio da Silva e, pelo visto na entrevista ao Portal Terra, nada mudou.
Os oito anos na Presidência não serviram para que Lula aprendesse a atuar numa lógica diferente da que considera a disputa permanente o motor da vida. O mundo, as coisas para ele têm essa dimensão: há o nós, há o eles, há o objetivo e um só valor, o resultado.
O resto – os meios, os preços, a coerência, a decência, as circunstâncias, as consequências – não interessa. A dinâmica mental do presidente – isso fica nítido na esclarecedora entrevista – é apenas partidária.
Tanto que se define em um momento como “dirigente partidário”, no outro diz que não exerce a Presidência com viés partidário e, no seguinte, defende seu direito de assumir “um lado” quando em época de eleições.
Lula acha que pode adaptar as regras da República à própria conveniência – uma delas a suspensão das obrigações presidenciais em períodos de campanha, sem sequer aludir à hipótese de pedir uma licença do cargo – e mede as pessoas por sua régua.
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