terça-feira, 29 de março de 2011

O "equívoco de Kafka"

O "equívoco" Kafka

     Aprendemos na pele que o renomado escritor era austro - húngaro, embora redigisse seus livros em alemão. O equívoco, lamentamos, foi por afoiteza.

     Aqui no Brasil, poderíamos na mesma linha de raciocínio, chamar de brasileiros alguns estrangeiros, principalmente cubanos, e graciosamente cairíamos em crasso erro, pois aquelas alentadas figuras, lêem, escrevem e falam o português.

Contudo, suas raízes estão de tal forma incrustadas na pátria de Fidel, que chamá-los de nacionais pode ser uma tremenda mancada.

     Ao longo da vida cometemos um rosário de equívocos. Chamar Kafka de alemão foi um deles. Tentar pelas armas conquistar o poder para implantar o regime comunista no Brasil, também. Contudo, assaltar, seqüestrar, roubar, assassinar e praticar terrorismo em nome daquela crença, não.

     Entretanto, agir à sorrelfa, como agente de uma guerra irregular, com identidade falsa, com falsos endereços e a partir de fanatismo ideológico julgar – se acima da lei, da decência e da moral, depende de quem julgar.

     A justiça, certamente, não separa bons terroristas, dos maus terroristas. O povo brasileiro, a sua justiça e o seu atual governo, sim.

     Quanto ao Congresso Nacional, somente saberemos, após endossarem ou não o Projeto de Lei do Executivo para a criação da Comissão da Verdade

     País estranho que consegue estipular valores monetários para as crenças ideológicas, e destina grossas verbas para reparar aqueles que fracassaram nos seus propósitos, e gratifica – os, apesar dos seus crimes com polpudas indenizações.

     Deitamos cátedra. Estamos diante do famoso jeitinho brasileiro? O caso Battisti que o diga.

     "É uma reparação devida", dizem eles, omitindo de onde saem os óbolos financeiros. Só pesa no nosso bolso.

     Alçá - los aos píncaros do heroísmo, com livros, novelas, memoriais, estátuas, nomes de ruas, de obras de arte, e entronizá-los como cândidas vítimas, diante de gritantes evidências, porém causa fraturas irremediáveis ao moral nacional, pois mistura alhos com bugalhos e coloca no mesmo nível, crápulas com excelsos brasileiros.

     É um estrago na consciência nacional. É entortar na cabeça dos jovens as pétreas noções do bem e do mal.

     É construir um futuro baseado em premissas errôneas, que fatalmente nos conduzirão a uma nação de fracos princípios e padrões de vida questionáveis.

     Chamar Kafka de alemão foi um equívoco reparável, esperamos. Acreditar que a Comissão da Verdade descortinará a dita poderá ser uma esperança vã ou um equívoco irreparável.

"Triste o povo que não se preocupa com os danos no seu bolso, nem na sua consciência".

Brasília, DF, 29 de março de 2011

Gen. Bda Rfm Valmir Fonseca Azevedo Pereira

 


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