quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O BEM CONTRA O MAL

O bem contra o mal. De novo?

Érico Valduga

A impugnação de projetos, legítimos até prova em contrário, pode ser a parte visível do iceberg do maniqueísmo que tem gerado a radicalização

Não me recordo, prezados leitores, em 35 anos de cobertura de política, de uma transição no Executivo em que o governador eleito tenha contestado publicamente tantas iniciativas do governador em fim de mandato como agora. Iniciativas, observe-se, que exigiram trabalho, tempo e dinheiro (este por nossa conta, como sempre) da máquina do Estado, e que foram, quase todas elas, convalidadas em Legislativos através de projetos específicos ou por aceitação tácita de enquadramento na legislação existente. E mais, mas não menos importante, sem que sejam apontadas distorções legais ou éticas que justifiquem as contestações.

Pode-se argumentar que faz parte do jogo político tentar reformar ou anular propostas que contrariem o interesse do go vernante e do partido vitorioso na eleição. Este comportamento, no entanto, precisa ser acompanhado de justificativas claras, de fácil compreensão, a explicá-lo. Como isto não está ocorrendo, em regra, instala-se a impressão de que as impugnações são uma amostra do estilo que marcou a efêmera presença de Tarso Genro na direção nacional do PT, logo após o Mensalão – a idéia da refundação. Assim como tentou, sem sucesso, refundar o seu partido, poderia estar tentando refundar o governo do Rio Grande do Sul.


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