sexta-feira, 10 de setembro de 2010

E AGORA CUBANÓVILOS?

"No Amazonas, onde só 11% da população tem serviço de esgoto, o governo quer gastar 500 milhões de reais num estádio para a Copa”.

Nicholas Vital  (repórter da revista Exame, num trabalho sobre o Mundial de 2014)


A “galera” (mas galera mesmo!) que ama Cuba e o seu regime está mais desorientada do que cego em tiroteio depois da entrevista do líder máximo Fidel Castro à revista semanal norte-americana The Atlantic. Fidel jogou a toalha e admitiu a derrota do socialismo cubano depois de 50 anos de ditadura e de afirmação desse regime, como o melhor do mundo.
Aquilo que Cuba exportou como modelo de sistema de governo não presta nem mesmo para os cubanos, obrigados a uma intoxicação ideológica que começou em janeiro dd 1959. E quem afirmou isso foi o próprio Fidel Castro, um ano após acordar de uma “viagem” que quase lhe tirou a vida.
“O modelo cubano já não funciona nem para nós”, disse Fidel numa entrevista que abalou os próprios cubanos e a classe dirigente da ilha e tal afirmação deverá ser a chave que vai abrir as portas da Disneylândia da esquerda para o capitalismo e para trazer alguma esperança de modernidade aos cidadãos daquele país.
Julia Sweig, uma especialista norte-americana em assuntos cubanos (ela acompanhou o jornalista Jeffrey Goldberg, autor da reportagem com Fidel) interpretou a franqueza de Castro sobre o regime que ele mesmo fundou como uma senha para que seu irmão, Raul Castro, promova as reformas institucionais que o país tanto necessita para sair do atraso socialista de meio século.

O mano Raul já vinha promovendo pequenas reformas no sistema produtivo e econômico da ilha quando determinou a distribuição de terras ociosas entre pequenos agricultores que não faziam parte das fazendas coletivas (uma tragédia na agricultura de Cuba) e permitiu que os cubanos abrissem pequenos negócios, como ter um táxi, uma loja ou um mercadinho.

Em março deste ano, Raul Castro pediu aos cubanos que trabalhassem mais e esperassem menos do governo. Não deixa de ser interessante a reviravolta dos irmãos Castro, após 50 anos de opressão e de discursos laudatórios sobre o socialismo e suas virtudes.

Os cubanófilos espalhados pelo mundo e especialmente aqui no Brasil mostram-se frustrados com a derrocada do regime fidelista, admitida pelo próprio pai do dinossauro. Mas a melhor tirada de Fidel na entrevista foi um recado que ele mandou ao maluco do Mahmud Ahmadinejad, presidente do Irã para que deixe de “difamar os judeus”.

O falecido embaixador Roberto Campos, ex-senador e escritor de muitos livros críticos sobre regimes totalitários, sempre dizia que “o socialismo é o caminho mais longo para se chegar ao capitalismo”. Fidel custou, mas confirmou a sentença de Campos.

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